Cafeína como suplemento ergogênico para praticantes de atividade física

A cafeína é um dos suplementos ergogênicos mais utilizados hoje em dia. Frequentemente é consumida com a finalidade de se obter melhor desempenho nas atividades praticadas em academias de ginástica,  também visando elevar a concentração nos estudos ou até mesmo como uma das  fontes para incrementar a disposição para a realização das tarefas do dia a dia. Apesar de ser famosa pelo efeito estimulante, vale ressaltar que a cafeína não possui valor nutricional significativo, diferente de alimentos que são fonte de carboidrato, lipídio e proteína (Tirapegui et al., 2013).

Estudos propõem que a suplementação com cafeína aumente a potência anaeróbia, bem como aumente o tempo de desempenho até à exaustão, provavelmente assim, combatendo a fadiga muscular e gerando mais resistencia!  Também parece haver influência no aumento da força de contração muscular e na velocidade de execução do movimento durante o exercício. (Campbell et al., 2013; Brunetto, Ribeiro, Fayh, 2010)

Portanto, a literatura apresenta algumas hipóteses acerca dos mecanismos de ação da cafeína:

-Aumento na degradação de gordura: a cafeína agiria indiretamente através do aumento das catecolaminas (hormônios excitatórios/inibitórios do sistema nervoso central) ou agiria diretamente bloqueando os receptores de adenosina, responsáveis por inibirem a mobilização de ácidos graxos. Dessa maneira nosso organismo passaria a utilizar mais lipídios e menos carboidratos, poupando o glicogênio muscular (Tarnopolsky et al., 2010).

-Ao agir como estimulante do sistema nervoso central haveria ainda a reducao da percepção do esforço durante exercícios de intensidade considerável (Krause, 2013).

-A cafeína atua na célula muscular inibindo a enzima fosfodiesterase (responsável pela conversão de AMP cíclico), ocorrendo maior liberação de cálcio no interior do músculo esquelético e dessa forma haveria um favorecimento na contração muscular através do  incremento dos níveis de AMPc (Zhao et. al.; 2013).

Reforçando as hipóteses anteriores, durante estudo realizado com corredores, foi demonstrado que a cafeína, quando ingerida em dosagens de 5 mg/kg 30 minutos antes do exercício, exerce efeito ergogênico, podendo ser um recurso de baixo custo e de fácil acesso para o desempenho esportivo em provas e competições com curtas e médias distâncias de predominância aeróbica (Mendes, Marangon, Fontana, Nogueira, 2013).

A partir de dosagens superiores a 10mg/kg, é possível que a cafeína alcance um nível considerado tóxico (200mM), acarretando efeitos colaterais como arritmias, distúrbios gastrointestinais, alucinações e ansiedade. Além disso, o consumo crônico em indivíduos sedentários pode ser fatal, já que a constante gordura circulante aumenta as chances do desenvolvimento de arteriosclerose. (Tirapegui, 2013)

Aliar a cafeína ao programa nutricional de maneira correta pode ser uma tática eficaz de se obter ganhos significativos, porém devemos sempre observar a tolerância do paciente. Por isso  cabe ao profissional de nutrição esportiva avaliar se a prescrição da cafeína na forma de suplemento será realmente necessária e vantajosa na rotina de treinamento de seu aluno.

 

 

 

Referência bibliográfica

1)     BRUNETTO, D.; RIBEIRO, J. L.; FAYH, A. P. T. Efeitos do Consumo Agudo de Cafeína sobre Parâmetros Metabólicos e de Desempenho em Indivíduos do Sexo Masculino. Revista Brasileira de Medicina do Esporte. Vol. 16. Num. 3. 2010. p.171-175.

2)   KRAUSE, M. V. ; MAHAN, L. K. Alimentos, Nutrição e Dietoterapia. 13 ed. São Paulo: Saunders Elsevier, 2013.

3)  MENDES, P. H. M.; MARANGON, A. F. C.; FONTANA, K. E.; NOGUEIRA, J. A. D. Influência Da Cafeína No Desempenho Da Corrida De 5000 Metros. Revista Brasileira de Nutrição Esportiva, São Paulo. v. 7. n. 41. p.279-286. Set/Out. 2013. ISSN 1981-9927.

4)  TIRAPEGUI, J.; KATCH, F. L.; KATCH, V. L. Nutrição, Fundamentos e Aspectos Atuais. Rio de Janeiro: Editora Atheneu, 2013. 3º ed. Capítulo 4, 11, 13.

 5) ZHAO, X., STRONG, R., PIRIYWAT, P. et al.). Caffeinol at the receptor level: antiischemic effect of N-methyl-D-aspartate receptor blockade is potentiated by caffeine. 2013. 41, pp. 363-7.

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Gustavo Lima Guedes

(Estagiário Equipe Larissa Cerqueira Nutrição e Bem estar)

Larissa Cerqueira Nutricionista CRN 1 5674