Força de vontade

Por quê alguns têm uma força de vontade inabalável, são persistentes e destemidos, incapazes de desistir? Mesmo deparando-se com obstáculos diários, superam terríveis dificuldades, vão em frente e concretizam os seus objetivos, enquanto outros… Desistem no primeiro passo, ao primeiro sinal de dificuldade?

Minha rotina em consultório é um modelo do quanto a força de vontade faz toda diferença quando o objetivo (e sempre é) é a mudança. Percebo de cara quando o paciente vai seguir a dieta e seu plano de treinos na primeira consulta ou no máximo na segunda, pois os fracassos anteriores, as desculpas e justificativas são o foco da conversa. É difícil explicar claramente que o plano alimentar é fundamentalmente dependente do planejamento e disciplina do paciente e que se ele não entender que aquela dieta foi elaborada através de princípios básicos que devem ser seguidos não haverá resultado satisfatório. Acredito que, a cada dia,  grande parte das pessoas, que procura o nutricionista, acredita que exista uma formula mágica que permita a mudança instantânea e irreversível do corpo e de sua saúde. Ledo engano. A mudança sustentável demanda perseverança, tempo e muita força de vontade.

Infelizmente a força de vontade está em baixa. O projeto comum de oito em cada dez seres viventes do planeta é começar uma reeducação alimentar, mas poucos o fazem de forma prolongada. Hoje em dia os prazeres momentâneos parecem ser muito mais atrativos que os prazeres batalhados e duradouros. É difícil resistir a mais alguns minutos na cama ou à sobremesa repleta de chocolate, todos os dias.

É claro que devemos curtir muito as pequenas maravilhas da vida, como o bom e velho chocolate, mas será que podemos saborear um pequeno pedaço dele sem precisar comer a caixa inteira? Ou seria ainda mais proveitoso dormir algumas horas mais cedo a fim de acordar com mais disposição para malhar no dia seguinte? Bom, tudo depende da sua força de vontade e do quanto o seu objetivo é importante e decisivo na sua vida.

Esse fato é percebido, pois a maioria das academias lota no verão e ficam com movimento super fraco no inverno. E até antes disso. Muitos começam freqüentando três vezes por semana, cai para uma e, em menos de dois meses, a freqüência cai para zero. A mesma realidade acontece no consultório em que Novembro e Dezembro são os meses mais movimentados por pessoas que estão pensando fundamentalmente nos desfiles nas areias das praias no Verão. Felizmente, em vários momentos do ano a motivação é possível e a cada dia as pessoas estão procurando uma estabilidade na alimentação e na atividade física mesmo com alterações e adaptações que podem ser muito saudáveis.

Desculpas para não continuar o plano alimentar ou o treino não têm fim e o maior prejudicado nessa historia toda é você mesmo. Mas por que é assim? Por que promessas como “este é o último”, “amanhã paro”, “segunda-feira eu começo”, “só vou comer mais este”, “agora vai ser a sério” são crônicas?

Segundo psicólogos, o argumento mais comum dos que possuem uma ínfima força de vontade é o de que realmente, no fundo, o objeto ou objetivo da desistência não era fruto de um genuíno desejo. “Não era verdadeiramente o meu desejo” é a frase mais repetida por aqueles que procuram justificar a sua desistência (afinal, a auto-estima sofre e é implacável na exigência de uma explicação).

Desejos e vontades são diferentes. “Desejos são sentimentos primários, ancestrais, biológicos, responsáveis por providenciar o atendimento às necessidades básicas dos seres humanos.” Os desejos nascem conosco e nos acompanham por toda a vida, permitindo-nos não apenas o prazer, mas a sobrevivência.

“As vontades são diferentes dos desejos, pois dependem de um fator a mais: a lógica. A vontade é um desejo racional, deriva do pensamento, do raciocínio, da análise do cenário, tanto presente quanto futuro”. “Eu posso ter desejo de ficar deitado na rede, mas tenho vontade de cuidar do meu corpo e me preparar para uma corrida de rua”. E é nesse momento que eu posso descobrir quem manda em mim, meus desejos ou minhas vontades. Meu ser mais primitivo, ou meu lado evoluído, que quer continuar evoluindo.

Portanto, a vontade é um sentimento que está sob o seu controle. Você pode mandar em sua vontade a partir do pensamento, e a isso costumamos chamar, popularmente, de “força de vontade”. Você tem feito só o que deseja ou costuma perseverar nas suas vontades?

Texto fonte: Saiba como construir uma inabalável força de vontade.

Autor: Margot Cardoso