Health lifestyle? A influência da mídia e os transtornos alimentares.

O assunto hoje é voltado para um transtorno muito comum, no entanto mascarado em nossa atualidade: o transtorno alimentar. Você acorda, liga a TV e está passando uma reportagem sobre a “dieta da moda”, abre seu instagram e/ou facebook e acompanha centenas de seguidores colocando sua ROTINA 100% saudável, só de acertos e nunca, jamais, erros ou “escapadinhas” nas dietas.  Aí você, que está há dias tentando se enquadrar em uma dessas condições, seja dieta, seja vida saudável a lá mídia social, passa por um dia daqueles, abarrotado de responsabilidades e uma rotina árdua, acaba falhando. Aí vem o sentimento de inferioridade e fracasso.

Se você – assim como a grande maioria das pessoas que estão lendo esse texto, sente que se identifica com esses sentimentos citados e que em diversos momentos sente que “perde o controle da situação” e desconta seu sentimento na comida, responda as seguintes questões:

–               Qual a periodicidade desses acontecimentos? Qual a duração?

–               Você tem a sensação de que, quando está comendo, perde o controle e não consegue parar de comer?

–               Come rapidamente uma enorme quantidade de comida e em muitos momentos, não consegue desfrutar-se do sabor?

–               Após terminar de comer, sente-se arrependido, vergonha, culpa ou repulsão de si por ter comido exageradamente?

–               Quando sente essa necessidade de comer descontroladamente, procura fazer sozinho por sentir vergonha dos que os outros possam pensar de você?

 

Se você se identificou com as questões a seguir, você está sofrendo de Transtorno de Compulsão Alimentar (TCA). A pessoa com compulsão alimentar apresenta um quadro de perda do autocontrole em relação a comida e em sua maioria resulta em sentimentos de impotência e frustração. O TCA resulta de uma combinação de fatores psicológicos, biológicos e ambientais.

Estudos revelam que a ansiedade e o estresse são os principais fatores que levam ao aumento das compulsões alimentares pois aumentam a liberação de um hormônio chamado cortisol, que estimula a ingestão de alimentos, resultando no aumento de peso. Além disso, pessoas com esse quadro lutam constantemente com sentimentos de desgosto, culpa e depressão. Episódios de compulsão podem levar a obesidade.

Nesses casos, observam-se relatos como “eu estava nervosa e ataquei tudo o que via pela frente.”; “comi para poder relaxar, mas depois quando me olhei no espelho, senti nojo de mim”, ou “venho seguindo uma dieta rigorosa, acabei me descontrolando e comi demais tudo o que não podia, agora estou me sentindo péssimo e derrotado”.

O compulsivo se sente infeliz em relação a si mesmo e sua aparência, dessa forma eles usam o alimento para lidar com suas insatisfações. Passa a ocorrer então, um círculo vicioso: come para se sentir melhor, e se sente ainda pior e incapaz. Quando percebe-se inferiorizado, fica ansioso e come novamente. Muitas pessoas com quadro de transtorno alimentar são obesas pela impulsividade e falta de controle com a comida. Nesses casos, as pessoas desejam mudar, querem mudar e parar com os episódios, mas sentem-se impotentes e precisam de ajuda.

Devemos ter ciência que quando falamos desse transtorno, falamos do requisito básico para sobreviver: a comida. Não existe a opção de nunca mais comer, e nem deve!

O problema é que grande parte da população agrega a comida a sentimentos e anseios e não ao que ela realmente deve representar: uma necessidade fisiológica. Lógico que é tudo de bom você sair para comer com seus amigos, frequentar ótimos restaurantes e poder, juntamente da comida, descontrair. Refiro-me ao fato de você desenvolver um relacionamento saudável com a comida. Aprender a se satisfazer em função de suas necessidades funcionais e nutricionais (qualidade) e não satisfazer seus sentimentos (quantidade).

O tratamento para casos de transtornos compulsivos alimentares depende de um atendimento multidisciplinar que envolve nutricionistas, psicólogos e médicos. Na psicoterapia, identifica-se os pensamentos e sentimentos disfuncionais que desencadeiam os episódios de compulsão (ou seja, os gatilhos: medo, ansiedade, estrese, tristeza, baixa estima, entre outros) e realiza-se o tratamento através de modificação do sistema de crenças em relação à comida; trabalha-se a autoestima, reduzindo a ansiedade em relação à sua aparência e imagem corporal bem como outras demandas que vem surgindo ao longo do tratamento.

Por fim, vale salientar que atualmente, vivemos em uma mídia generalizada, onde a felicidade só existe caso você tenha o corpo igual a fulano ou ciclano ou então, que sua família seja idêntica à que passa na propaganda de margarina. Vivemos em uma realidade rotulada, escura, onde não existe tristeza, pobreza ou problemas. Tudo deve ser perfeito. Não acredite e nem queira incorporar-se a isso. O melhor da vida é ser quem você é, com seus acertos e defeitos. Antes de olhar para qualquer lado, olhe primeiramente para dentro de você. Observe-se, curta-se, permita-se. A vida é muito para ser tão insignificante!

 

Keitiny Cristina
CRP RJ/45801
Psicóloga Clinica
Transtornos Alimentares e Emagrecimento
Pós Graduação em Terapia Cognitiva Comportamental

Equipe LC Nutrição e Bem Estar