Hipertrofia, Whey Protein e qualidade de vida

whey-protein

 

A massa muscular esquelética do nosso corpo desempenha papel fundamental tanto para atividades diárias comuns, como para o controle metabólico ao longo de atividades físicas e para composição corporal. À medida que crescemos há um aumento dessa massa, em contraponto, à medida que completamos o crescimento e começamos a envelhecer, há uma perda significativa de tal massa , processo denominado de Sarcopenia.

Dada a importância do músculo para locomoção, produção de força, disponibilidade de glicose e regulação metabólica, a redução de massa muscular, característica do envelhecimento, aumenta o risco de doenças crônicas como: síndrome metabólica, diabetes tipo II, doença cardiovascular e quedas. Todos estes aspectos se resumem em diminuição da qualidade de vida. Deste modo, considera-se que é necessário otimizar o desenvolvimento de massa muscular ao longo da vida.

A massa muscular esquelética total é o produto da contínua e simultânea síntese de proteína muscular, contrapondo-se à constante quebra de proteína muscular gerada pelos processos metabólicos naturais e diários. Como resultado final entre estes dois processos teríamos: o balanço positivo de proteínas: que geraria o aumento da massa muscular, ou, o balanço negativo de proteínas: que determinaria a perda de massa muscular. Quando há um aumento de massa muscular, dizemos que houve hipertrofia muscular, já quando há uma diminuição dessa massa denomina-se que houve atrofia muscular.

Ao longo do dia as taxas de quebra e de síntese de massa muscular ficam flutuando, isto pode ser influenciado por diversos fatores, incluindo déficit/superávit de energia, treinamento resistido/aeróbico e/ou juventude/envelhecimento. É sabido que o exercício resistido (como a musculação!) estimula tanto a quebra quanto a supercompensação de massa muscular, e que refeições adequadas com perfil proteico ao longo do dia, além do treinamento resistido de qualidade promovem o equilíbrio líquido proteico positivo, resultando em maior capacidade de alcançar a hipertrofia muscular a longo prazo.

Alimentos ricos em proteínas podem ser de origem animal como carne, peixe, produtos lácteos e ovos; ou de fontes vegetarianas como tofu, leguminosas e quinoa. As proteínas animais como as derivadas de produtos lácteos: leite, iogurte e queijo, pertencem a mais alta qualidade e seu consumo regular, associado ao treinamento, resultam em um maior equilíbrio proteico positivo, diferentemente do que o observado a partir de outras fontes de proteína como a de vegetais.

Whey Protein é um “subproduto” da produção de queijo (ou pode ser especificamente isolado através de uma filtração do leite) sendo ele o soro do leite com grande percentual de proteína . Esta fonte protéica é uma das mais utilizadas como suplementos para atletas e consumidores de produtos de nutrição esportiva, tanto para apoiar a hipertrofia muscular, como para melhorar a composição corporal. A proteína do soro do leite, em maior medida do que a caseína ou a proteína da soja, tem sido reconhecida como grande estimuladora da síntese proteica.

Importante frisar que a proteína de soro de leite é uma proteína completa, ou seja, contém todos os aminoácidos essenciais, possui digestibilidade rápida e elevada biodisponibilidade. Possui proporção elevada de aminoácidos de cadeias ramificadas (Bcaa’s: Valina, Leucina e Isoleucina) além de cisteína, substância precursora de glutationa, uma das responsáveis pelo combate do estresse oxidativo (indicador de envelhecimento precoce). A leucina (aminoácido chave na estimulação de síntese proteica) estimula a ativação de uma via bioquímica: Mtor. A MTor ativada é responsável por uma das vias principais que sinalizam a síntese proteica e consequentemente a hipertrofia.

Concluindo considera-se que o Whey protein juntamente com treinamento de força parecem induzir a hipertrofia e o aumento da força muscular. A suplementação de proteínas do soro de leite é sugerida como um componente importante para aperfeiçoar a composição corporal. Ainda, alerta-se para os diferentes tipos de Whey, sendo de suma importância dar maior atenção para os isolados, já que estes contam quase que em totalidade a sua composição em proteínas, uma vez que para sua preparação o soro extraído do leite é passado por processos mais rígidos de filtração, diferentemente do concentrado, que passa por um processo mínimo de filtragem durante o seu processamento e tem baixo percentual de proteínas. Há também o hidrolisado que para sua fabricação é consequência da quebra das moléculas de proteínas em peptídeos menores por processos químicos ou enzimáticos. Este produto costuma ser mais indicado para atletas de alto rendimento por possuírem poucos intervalos de tempo entre suas atividades necessitando de uma digestão e absorção mais rápida ou para pacientes com algum grau de alergias e intolerâncias alimentares. Dessa forma o hidrolisado parece ser interessante para populações reduzidas e portanto, menos necessário e recomendado.

É fundamental ressaltar a total necessidade do profissional Nutricionista para prescrever esse suplemento individualmente , sendo esse recurso somente parte integrante de uma dieta equilibrada e adequada.

 

Ana Luiza Vertermati

Graduanda Nutrição UnB

e Larissa Cerqueira

CRN 1 – 5674

Nutricionista Especialista em Nutrição Esportiva-UGF e Musculação e Treinamento de força-UnB

Equipe LC Nutrição e Bem-estar

Referências bibliográficas:

Michaela C. Devries and Stuart M. Phillips: Supplemental Protein in Support of Muscle Mass and Health: Advantage Whey. Journal of Food Science Vol. 80, S1, 2015.

Fabiane La Flor Ziegler; Valdemiro Carlos Sgarbieri: Chemical-nutritional characterization of a whey protein isolate, a bovine collagen hydrolysate and mixtures of the two products. Rev. Nutr. vol.22 no.1 Campinas Jan./Feb. 2009

Fabiano Kenji Haraguchi, Wilson César de Abreu, Heberth de Paula: Whey protein: composition, nutritional properties, appica. 7/11/2005