Minha testosterona está baixa, devo repor?

Essa é uma pergunta cada vez mais frequente nos consultórios de endocrinologia, consequência da
dosagem indiscriminada desse hormônio nos exames de “check up”. Grande parte dessas mulheres
chegam com queixas de queda da libido (desejo sexual), desânimo e dificuldade de ganho de massa
magra na academia, principalmente no climatério ou menopausa. A grande questão é: existe realmente
necessidade de reposição de testosterona na mulher?
A testosterona é um hormônio masculino que é produzido pelas mulheres nos ovários e adrenais.
Estudos mostram que realmente há uma queda no nível desses hormônios por volta da quarta década
de vida, sem relação com o período da menopausa, mas não há uma correlação entre os sintomas e a
queda laboratorial desse hormônio ou de outros andrógenos. Além disso, os ensaios clínicos
laboratoriais não são precisos para dosagem de testosterona em níveis baixos, que é o esperado em
mulheres. Devido a isso, ainda não existe um ponto de corte laboratorial para o diagnóstico de
testosterona baixa em mulheres. Só há consenso quanto aos níveis elevados de testosterona.
Com base nisso, a Endocrine Society (Sociedade Americana de Endocrinologia) e a SBEM
(Sociedade Brasileira de Endocrinologia) não aprovam a dosagem indiscriminada de testosterona em
mulheres, sendo indicada só em caso de suspeita de excesso de produção desse hormônio. Como não
existe meio de se realizar o diagnóstico de deficiência androgênica feminina (não existem pontos de
corte para isso), também não está recomendada a reposição desse hormônio em mulheres.
Por fim, vale lembrar que não existem formulações liberadas no Brasil para uso feminino e
mundialmente não se recomenda uso por mulheres de formulações para homens, por risco de efeitos
colaterais a curto e longo prazo.