% Percentual de Gordura e Análise da Composição Corporal

Antes de calcular dietas ou planejar treinos, o nutricionista deve levar em conta a individualidade biológica de cada paciente. Um ótimo ponto de partida é estimar a composição corporal com o máximo de precisão e usar os dados coletados como base para traçar estratégias nutricionais eficazes ao incorporar práticas equilibradas e saudáveis, visando resultados significativos (BENETTI, 2014). Cada pessoa apresentará necessidades específicas que só poderão ser atendidas após análise minuciosa de uma série de informações fornecidas pela avaliação física, exames bioquímicos e por meio de consulta com profissional qualificado. Por isso, não é aconselhável que sua rotina seja baseada na dieta de um amigo, conselhos genéricos coletados na internet ou o treino elaborado para algum atleta de elite.

O nutricionista possui uma gama de equações preditivas que utilizam valores como idade, peso e altura para estimar o perfil nutricional adequado. Os objetivos podem ser diversos desde ganho de massa magra, redução de gordura corporal à performance. Entretanto, devemos levar em consideração que cada individuo conta com determinada composição corporal sendo sua distribuição variável de  massa muscular, massa gorda, fluídos corporais e vísceras. Essas diferenças afetam diretamente a estética, performance e saúde do paciente (LOPES, 2008).

 

IMC (índice de massa corporal) não é uma boa referência ! Um exemplo claro de suas limitações pode ser dado apontando uma comparação entre indivíduo obeso e atletas com o mesmo IMC. O individuo obeso pode até estar com o mesmo peso e ter a mesma altura que um individuo atlético jogador profissional de futebol americano ou fisiculturista, no entanto, é clara a discrepância quando analisamos os respectivos percentuais de gordura. Ou seja, se utilizarmos somente o IMC como parâmetro, poderemos chegar a um resultado equivocado, no qual não há diferenciação de massa muscular e massa gorda (BENETTI, 2014).

Apesar dos inúmeros protocolos para a análise de composição corporal existentes, o adipômetro e a fita métrica ainda são as ferramentas mais utilizadas dentro do consultório pois, além de viáveis, apresentam dados confiáveis sobre a perimetria e percentual de gordura (McCARDLE, 2011). Os leves “beliscões” do adipômetro estimam a quantidade de tecido adiposo corporal medida após cálculos específicos considerando espessura das dobras cutâneas. Já a a fita métrica é usada para obter perímetros/ circunferências. A reavaliação periódica desses dados permite o acompanhamento preciso da evolução, podendo inferir se houve progresso ou retrocesso. Dessa forma, mantemos ou traçamos novas metas adequando o recente estado nutricional e físico do paciente.

Devemos esclarecer que, apesar de obtermos dados confiáveis acerca do estado físico e nutricional do paciente, esses mesmos dados (Percentuais de gordura) não são comparáveis entre individuos! Conforme esclarecimento anterior, a coleta de dados deve considerar a individualidade biológica, aceitando assim, que certo percentual de gordura encontrado no paciente X não surtirá o mesmo efeito estético no paciente Y.

Vamos recorrer a novo exemplo prático para ilustrar melhor a questão: um homem com 12% de gordura pode aparentar maior definição do que seu parceiro de treino que encontra-se com 10% de gordura. Da mesma maneira, uma mulher com 55cm de coxa pode aparentar maior volume e definição muscular quando comparada a outra com 65cm. A estética vai além de números, é um conjunto de fatores como distribuição da massa magra e massa gorda, altura, postura, estado de hidratação, biótipo e características genéticas dos avaliados podendo ser, muitas vezes, melhor analisada no espelho do que no papel.

 

Gustavo Lima Guedes

(Estagiário Equipe Larissa Cerqueira Nutrição e Bem estar)

Larissa Cerqueira Nutricionista CRN 1 5674

Bibliografia Consultada

  1. MCARDLE, W. D.; KATCH, F. L.; KATCH, V. L. Nutrição para o esporte e o exercício. Rio de Janeiro: Guanabara koogan, 2011. 3º ed. Capítulo 13.
  2. BENETTI, G.B. Curso didático de Nutrição.  São Caetano do Sul, SP: Yendis Editora LTDA. 1 ed. Capítulo 22, 23. 2014
  3. LOPES, A. L; OLIVEIRA, A. F.; BLEIL, R. T. Apostila de avaliação nutricional I. Cascavel, PR. Faculdade Assis Gurgacz, 2008.
  4. GROSSL, T.; LIMA, L.R. Augustemak de; KARASIAK, F.C.. Relação entre a gordura corporal e indicadores antropométricos em adultos frequentadores de academia.Motri.,  Vila Real ,  v. 6, n. 2,   201
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